domingo, 23 de outubro de 2011

Confusão de Rafinha...

Bom, to sem tempo pra postar, portanto vai um texto ai do Judão sobre o que penso da história toda:


Na época, tinha saído a matéria da Rolling Stone sobre Bastos e, nela, o repórter pescava um trecho de show do cara onde era dito que mulher feia que é estuprada tem mais que agradecer o estuprador por afagar-lhe os genitais. Erro. Piada desprezível. Mas, numa boa, o cara falou aquilo num clube fechado, onde algumas dezenas de pangarés tinham pago pra conferir o texto dele e, pelo que me consta, ninguém fugiu dali horrorizado chamando a polícia ou a igreja ou, enfim, as otoridades. Mas ali estava, no papel, o tal trecho.
Quero dizer aqui que na matéria da RS a piada está fora de contexto, dado que o mote do show, em alguns momentos, é escrotizar geral. Tipo quando você anda de montanha-russa. Você vai lá pra se sentir mal, não o tempo todo, mas parte dele. Enfim, é tipo isso.
Só que esse mesmo comediante faz(ia) parte da bancada de um dos programas de TV mais relevantes do horário nobre nacional. Daí chama atenção falar dele nos meios de comunicação, principalmente nos ruins. E ali ele está porque fala esse naipe de coisas. Falava antes, fala agora. Tá ali pra isso.
Daí ele fez isso de novo, que é o que se espera dele, inclusive por quem paga seu salário. O vídeo a seguir é auto-explicativo (reparem em Tas e Luque rindo da piada sem graça mais famosa do Brasil).
Mas existe um otário reacionário dentro de cada um de nós, à espreita pra fazer com alguém tudo que acreditamos (ou fingimos acreditar) que é deplorável. Estamos louquinhos pra tesourar aquele filho da puta que “acha que pode falar o que quiser”. Mas, enfim, isso não é censura. Trata-se apenas de separar o que é bom gosto do que fere nossas tradições, famílias e propriedades. Oh, wait…
Sendo direto: existe a figura pública, seja ela política, artística, militante ou analítica. Mas, enfim, ainda assim, pública. A Wanessa, mesmo fazendo uma música de merda, é uma figura pública e tudo que é público, não é privado. Tem que funcionar, como dizia um professor meu, no esquema: “eu tenho uma mãe pra ser xingada aqui no colégio e outra que passa café e faz bolo no domingo”.
A imagem da Wanessa, mais uma vez, não custa lembrar, é pública, isso dá margem a elogios, críticas e, também, a piadas e “sacadas” de humoristas. Agora, se isso tem qualidade, se o elogio é justo, a crítica faz sentido ou se a piada é engraçada, são outros quinhentos. Existe a justiça comum pra esse tipo de situação. Marido tá ofendido? Porra, dá um tempo nessa onda de trazer o U2 pela décima vez pro Brasil e aciona o cidadão na justiça, oras. Talvez eu mesmo cogitasse essa possibilidade se fosse com minha esposa e filho a piada, embora minha mulher com certeza fosse esfregar na minha cara o ridículo de me ofender com isso.
Deprê é o cara depender do sócio ligar para a Band, que passa o programa de Bastos, e tocar o terror, alegando retirada de patrocinadores e oscaray, segundo contam os rumores da imprensa boba alegre especializada, que vai lá saber se sabe do que está falando.
Mas o coro dos (sempre, não importa quanto ganhem, para onde viajem, quantos seguidores tenham, quem comam ou quem os coma) descontentes cantou, afinado como sempre, chato como sempre, unido como sempre. Estamos todos certos e, não à toa, esse é um dos momentos mais idiotas da história da humanidade, pelo menos da parte que eu vivi disso.
Temos tudo pra curtir a valer, fotografar, filmar, escrever, compartilhar, emocionar, rir, viver e cagar pro passado nojento que construiu esse país, fazer tudo de novo, esquecer a cabeça de merda que fomos criados pra ter. E no lugar disso agimos como aquelas beatas filhas da puta que batiam com palmatória nas mãos dos nossos pais quando eles eram lindos pimpolhos fazendo besteira no colégio.
Agora, em tempo, e se a piada foi simplesmente ruim e, enfim, merece passar batida?

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