Na última quarta-feira fui assistir a “Lanterna Verde”. Comprei ingresso para a sessão 3D pela internet (R$ 27, incluindo a taxa de conveniência!) e descolei um espaço no meu apertado cronograma semanal para ter duas horas de escapismo adolescente e provável ódio por Ryan Reynolds. Sentei minha bunda na cadeira da quase lotada do cinema. O filme começou e logo estranhei a legenda. Estava embaçada, meio dobrada… “O que colocaram no meu Ice Tea, meu Deus?!”, pensei.
Não… Realmente tinha algo estranho com a imagem. O 3D estava desregulado. O que era para estar atrás estava na frente. E vice versa. Estariam meus óculos 3D — além de ensebados, sujos, meio amassados e nojentos — desregulados? “Ei. A imagem está estranha para vocês?”, perguntei para o casal ao meu lado, que calmamente mastigava um saboroso Cheddar McMelt… “Sim. Está estranho.” Ok. Eu tinha razão. Esperei uns minutos para ver se voltaria ao normal. Não voltou.
Levantei e fui reclamar com a atendente. Ela me olhou com cara de espanto, disse que ia ver e seguiu fazendo o que estava fazendo. “Oi. Você vai me levar a sério? O filme está rolando e eu estou perdendo.” Aí sim ele pegou o rádio e entrou em contato com alguém. Entrei triunfante na sala, esperando ser recebido com palmas da sala descontente com a situação. Não. Ninguém parecia se importar com a versão bêbada do “Lanterna Verde” que assistiam. Sentei e esperei o problema ser resolvido.
10 minutos e nada.
Levantei pela segunda vez. Dessa vez havia outro atendente no corredor. “Sério? Está com problema? Deixa eu ver.” Respirei fundo e entramos na sala. Ele pegou meus óculos, sentou-se numa poltrona, viu que a imagem estava cagada e disse: “Acho que são seus óculos. Vou trocar”. Eu sabia que não eram os óculos, mas o que eu podia fazer senão esperar ele voltar com um par de óculos milagrosos? Esperei. Por mais uns 5 minutos. Em vão.
O filme rolando. Eu sem óculos.
Levantei pela terceira vez. O funcionário estava falando ao rádio, com os óculos que eu usava nas mãos. “Oi? Meus óculos novos? Estou esperando.” Ele virou de costas e seguiu falando. Já irritado, eu mesmo fui até a caixa de óculos que repousava no chão, peguei um novo e voltei pra sala, esperançoso. Nada. Continuava ruim. E NINGUÉM na sala parecia se incomodar. Pelo contrário. Riam das piadas que, a essa altura, eu nem mais entendia.
Levantei pela quarta vez. Dessa vez filmando com o celular, com a ideia de fazer um “vídeo denúncia” para postar no YouTube. “Olha. Não adiantou. A imagem está uma merda. Quero meu dinheiro de volta”. O funcionário me mandou até o caixa, onde chamei o gerente. A tal gerente apareceu e se recusou a falar comigo enquanto eu filmasse. “Eu tenho direitos autorais!”.
Há!
Já sem saco para discutir, contando até 100, desliguei o celular. Veio um segundo gerente. Disse que realmente o projetor estava com defeito. Me pediu para descrever o problema. Descrevi. Meu dinheiro foi devolvido (menos a taxa de R$ 3 que se paga por comprar pela internet e dar menos trabalho para todo mundo…) e fui para casa frustrado por vários motivos.
Primeiro: hoje em dia é tão difícil arrumar um tempinho para se ir ao cinema, né? Joguei a ida da semana no lixo.
Terceiro: projetar filme é um trabalho como outro qualquer. Exige treinamento, experiência e cuidado. Os projetores 3D especialmente. Se você, dono do cinema implícito nesse texto, acha que pode colocar qualquer Zé Ruela para fazer esse trabalho, você é um otário. Já é a segunda vez que tenho uma experiência negativa nessa mesma sala. A primeira foi com “Thor”, que estava escuro pra cacete! E eu pude comprovar isso entrando numa sala 2D logo após a sessão para comparar.
Por que no Brasil é sempre assim, né? Tem sala 3D? Tem. Mas a projeção é quase sempre longe do ideal. Quando não é completamente cagada mesmo, como foi o caso de ontem. Tem IMAX? Tem! Mas o corrimão fica na frente da tela dependendo do lugar que você senta.
PORRA!
Cinema é uma parada séria, mano. E você paga por ele. Já não bastam os preços abusivos, comida barulhenta, gente comendo McDonalds, celular, conversa, cheiro de manteiga, taxa de conveniência, filas e tudo mais? Precisamos incluir “projeção tosca” nessa lista? Mesmo?
Caralho. To irritado.
Desculpem.
Desculpem.
Em tempo: ainda bem que aconteceu isso tudo, porque parece que o “Lanterna Verde” é uma merda.
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