domingo, 28 de agosto de 2011

Nossos cinemas de hoje...

Hoje queria apenas reproduzir um texto do site Judão em que uma cidadão que foi ao cinema desabafou sobre as condições das nossas salas de cinema, dá estrutura (medilcre) das nossas salas 3D, dos nosos funcionários, do nosso público, enfim, só queria repassar o texto para que todos se perguntam: SERÁ QUE NÃO SOU EU E ESSAS SALAS MEDILCRES QUE ESTÃO RETIRANDO AS PESSOAS DO CINEMA ????... Enfim, veja ai o que ele passou, dá até tristeza só de pensar que um dia possa acontecer isso comigo, confira:


Na última quarta-feira fui assistir a “Lanterna Verde”. Comprei ingresso para a sessão 3D pela internet (R$ 27, incluindo a taxa de conveniência!) e descolei um espaço no meu apertado cronograma semanal para ter duas horas de escapismo adolescente e provável ódio por Ryan Reynolds. Sentei minha bunda na cadeira da quase lotada do cinema. O filme começou e logo estranhei a legenda. Estava embaçada, meio dobrada… “O que colocaram no meu Ice Tea, meu Deus?!”, pensei.
Não… Realmente tinha algo estranho com a imagem. O 3D estava desregulado. O que era para estar atrás estava na frente. E vice versa. Estariam meus óculos 3D — além de ensebados, sujos, meio amassados e nojentos — desregulados? “Ei. A imagem está estranha para vocês?”, perguntei para o casal ao meu lado, que calmamente mastigava um saboroso Cheddar McMelt… “Sim. Está estranho.” Ok. Eu tinha razão. Esperei uns minutos para ver se voltaria ao normal. Não voltou.
Levantei e fui reclamar com a atendente. Ela me olhou com cara de espanto, disse que ia ver e seguiu fazendo o que estava fazendo. “Oi. Você vai me levar a sério? O filme está rolando e eu estou perdendo.” Aí sim ele pegou o rádio e entrou em contato com alguém. Entrei triunfante na sala, esperando ser recebido com palmas da sala descontente com a situação. Não. Ninguém parecia se importar com a versão bêbada do “Lanterna Verde” que assistiam. Sentei e esperei o problema ser resolvido.
10 minutos e nada.
Levantei pela segunda vez. Dessa vez havia outro atendente no corredor. “Sério? Está com problema? Deixa eu ver.” Respirei fundo e entramos na sala. Ele pegou meus óculos, sentou-se numa poltrona, viu que a imagem estava cagada e disse: “Acho que são seus óculos. Vou trocar”. Eu sabia que não eram os óculos, mas o que eu podia fazer senão esperar ele voltar com um par de óculos milagrosos? Esperei. Por mais uns 5 minutos. Em vão.
O filme rolando. Eu sem óculos.
Levantei pela terceira vez. O funcionário estava falando ao rádio, com os óculos que eu usava nas mãos. “Oi? Meus óculos novos? Estou esperando.” Ele virou de costas e seguiu falando. Já irritado, eu mesmo fui até a caixa de óculos que repousava no chão, peguei um novo e voltei pra sala, esperançoso. Nada. Continuava ruim. E NINGUÉM na sala parecia se incomodar. Pelo contrário. Riam das piadas que, a essa altura, eu nem mais entendia.
Levantei pela quarta vez. Dessa vez filmando com o celular, com a ideia de fazer um “vídeo denúncia” para postar no YouTube. “Olha. Não adiantou. A imagem está uma merda. Quero meu dinheiro de volta”. O funcionário me mandou até o caixa, onde chamei o gerente. A tal gerente apareceu e se recusou a falar comigo enquanto eu filmasse. “Eu tenho direitos autorais!”.
Há!
Já sem saco para discutir, contando até 100, desliguei o celular. Veio um segundo gerente. Disse que realmente o projetor estava com defeito. Me pediu para descrever o problema. Descrevi. Meu dinheiro foi devolvido (menos a taxa de R$ 3 que se paga por comprar pela internet e dar menos trabalho para todo mundo…) e fui para casa frustrado por vários motivos.
Primeiro: hoje em dia é tão difícil arrumar um tempinho para se ir ao cinema, né? Joguei a ida da semana no lixo.
Segundo: a passividade do brasileiro é assustadora. Sei que parece pequeno. “Meu Deus… Com tanto problema por aí, o cara tá se importando com uma imagem ruim no cinema!”. É. É isso mesmo! Como numa sala com pelo menos 70% da capacidade ocupada, apenas UMA pessoa se levanta para reclamar? Bando de gente frouxa. Peguei meu dinheiro de volta, seus babacas!
Terceiro: projetar filme é um trabalho como outro qualquer. Exige treinamento, experiência e cuidado. Os projetores 3D especialmente. Se você, dono do cinema implícito nesse texto, acha que pode colocar qualquer Zé Ruela para fazer esse trabalho, você é um otário. Já é a segunda vez que tenho uma experiência negativa nessa mesma sala. A primeira foi com “Thor”, que estava escuro pra cacete! E eu pude comprovar isso entrando numa sala 2D logo após a sessão para comparar.
Por que no Brasil é sempre assim, né? Tem sala 3D? Tem. Mas a projeção é quase sempre longe do ideal. Quando não é completamente cagada mesmo, como foi o caso de ontem. Tem IMAX? Tem! Mas o corrimão fica na frente da tela dependendo do lugar que você senta.
PORRA!
Cinema é uma parada séria, mano. E você paga por ele. Já não bastam os preços abusivos, comida barulhenta, gente comendo McDonalds, celular, conversa, cheiro de manteiga, taxa de conveniência, filas e tudo mais? Precisamos incluir “projeção tosca” nessa lista? Mesmo?
Caralho. To irritado.
Desculpem.
Em tempo: ainda bem que aconteceu isso tudo, porque parece que o “Lanterna Verde” é uma merda.

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